A redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode gerar impacto de R$ 11,88 bilhões no setor de transporte no longo prazo. A estimativa consta em estudo técnico encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), que analisou os efeitos econômicos e operacionais da medida.
Segundo o levantamento, a mudança sem ajuste proporcional de salários elevaria em cerca de 10% o valor da hora trabalhada. No setor de transporte, em que a maior parte dos trabalhadores já atua no limite atual da jornada, o impacto direto seria aumento de 8,6% nos custos com pessoal.
Mudança exigiria novas contratações
O estudo também revela que a redução da jornada, combinada com alterações nas escalas, exigiria a contratação de aproximadamente 240 mil trabalhadores para manter o nível de operação.
O setor, no entanto, já enfrenta dificuldade para preencher vagas. Dados da CNT mostram que 65,1% das empresas têm problemas para contratar motoristas. No transporte de cargas, 44,6% das empresas mantêm postos abertos, enquanto no segmento de passageiros 53,4% relatam escassez de profissionais.
A operação contínua, que funciona 24 horas por dia, amplia a necessidade de ajustes nas escalas e eleva a dependência de mão de obra.
Pequenas empresas concentram maior risco
A estrutura do setor, formada majoritariamente por pequenas empresas, amplia o impacto da medida. Cerca de 90,5% dos negócios têm até nove empregados.
Atualmente, 47,3% do valor adicionado bruto já é destinado ao pagamento de pessoal, o que limita a capacidade de absorver novos custos. O excedente operacional bruto gira em torno de 21% da receita, o que reduz a margem para acomodar aumentos.
Segundo o estudo, esse cenário pode levar ao repasse de custos ao consumidor ou à redução de operações.
Informalidade e produtividade entram no debate
O levantamento também aponta risco de aumento da informalidade. Apesar do alto nível de formalização, com mais de 90% dos trabalhadores com vínculo formal, o setor pode ser pressionado por custos mais elevados.
Hoje, o custo da contratação formal no país já equivale a mais de 100% do salário nominal. Com a elevação, o estudo indica possibilidade de migração para relações informais.
A análise também cita a baixa produtividade como fator de restrição. O estudo mostra que o trabalhador brasileiro produz menos que o de economias desenvolvidas, o que dificulta a adaptação à jornada reduzida sem ganhos de eficiência.
Debate envolve custos e organização do setor de transporte
O estudo conclui que mudanças na jornada e nas escalas exigem avaliação dos impactos econômicos e operacionais, especialmente em setores com funcionamento contínuo e alta dependência de mão de obra, como o transporte.