Leitura bíblica: Jó 32.1-4; 33.1-4; 34.1-6; 36.1-5.
Os amigos de Jó acreditavam que o sofrimento é uma punição de Deus para os ímpios e que os justos não passam por tribulações. Segundo criam, se Jó estava sofrendo, só tinha uma explicação: Ele estava em pecado e Deus o estava punindo.
Eliú, o último amigo de Jó a se pronunciar, provavelmente, acreditava também que Jó havia pecado contra Deus. Porém, diferente dos outros, ele não via o sofrimento como uma punição divina e sim, com um instrumento de ensino.
Não temos muitas informações sobre Eliú, mas, diferente dos outros amigos de Jó, temos algumas informações familiares de Eliú. Ele é identificado como filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão (Jó 32.2,6) Segundo o texto de Gênesis 22.21, Buz é um filho de Naor, irmão de Abraão. Sendo assim, Buz era irmão do pai de Rebeca, esposa de Isaque. O texto de Jeremias 25.23,24 mostra que Buz ficava na região da Arábia.
Eliú queixa-se do fato de Jó ter reclamado do silêncio de Deus. Ele destaca a soberania de Deus e diz que o ser humano não deve questionar ao seu Criador. De fato, Deus é Senhor e soberano. Ele não deve satisfação nenhuma dos seus atos. Falando ao profeta Jeremias, no capítulo 18, Deus usa a figura do barro e do oleiro, para mostrar que Ele pode fazer o que quiser: “Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o Senhor. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” (Jr 18.6).
Mesmo sendo infinitamente superior às suas criaturas, Deus ama o ser humano e se importa com os seus problemas. Eliú argumenta que Deus responde de várias maneiras, seja falando ou através de sonhos e visões. (Jó 33.14,15). O jovem Eliú sugere que Jó seria orgulhoso e, por isso, Deus não o respondia. De fato, o orgulho humano impede que ele se aproxime de Deus. Mas, esse não era o caso de Jó. Vejamos o que disse Jó, em um dos seus discursos: “Como, então, poderei eu discutir com ele? Como achar palavras para com ele argumentar?” (Jó 9.14)
Eliú ao defender a Justiça de Deus, acusa Jó de orgulho e insolência, por ter defendido a sua inocência. Assim como fizeram os outros amigos, Eliú parece entender que Jó havia pecado e insistia em sua inocência. Sendo assim, ele defende a Justiça de Deus, argumentando que Deus retribui a cada um, segundo as suas próprias obras e não comete injustiça. Logo, o sofrimento de Jó seria uma retribuição justa da parte de Deus. Realmente, Deus é justo e não comete injustiças. Ele julga com a mais absoluta justiça. Mas, Jó não estava sendo punido por seus pecados.
Em seu discurso, no capítulo 34, Eliú descreve alguns aspectos do caráter justo de Deus:
a. Deus é justo quando pune o homem (Jó 34.11,12);
b. Deus é o governante supremo e não deve satisfações a ninguém (Jó 34.13);
c. Deus é o dono da vida e cabe a Ele decidir quem vive e quem morre. (Jó 34.14,15);
d. Deus não faz acepção de pessoas. (Jó 34.16-20);
e. Deus é onisciente e conhece não apenas as ações, mas também, as intenções das pessoas. (Jó 34.21-25);
f. Deus é justo e não deixará a maldade impune. (Jó 34.25-30).
Eliú encerra o capítulo 34 mostrando a Jó que Deus, em sua soberania e livre vontade, não tem a obrigação de agir segundo o querer do homem. (Jó 34.33). Ao contrário do que pensam os panteístas, que afirmam que Deus é uma energia impessoal, as Escrituras nos mostram que Deus é um ser pessoal. Deus tem intelecto, sentimento e vontade. Além de ter vontade própria, a vontade de Deus é soberana, ou seja, Deus faz o que Ele quer, quando quer e como quer.
Na opinião de Eliú, Deus jamais age com injustiça e ele está certo neste ponto. Porém, assim como os seus amigos, ele erra quando parte do pressuposto de que Jó pecou e o seu sofrimento é, de certa forma, uma retribuição da parte de Deus.
No capítulo 36 e versículo 26 do Livro de Jó, Eliú afirma que “Deus é grande, e nós o não compreendemos”. Eliú enaltece a majestade e grandeza de Deus na criação e espera com isso, levar Jó a reconhecê-lo como tal. (Jó 36.24-25). Eliú acha contraditório o fato de Jó exaltar a Deus e por outro lado reclamar dele. De fato, murmuração e adoração não podem andar juntas. Devemos adorar a Deus em quaisquer circunstâncias. Algumas ideias absurdas que se prega nas Igrejas neopentecostais de "não aceitar", "determinar" e "exigir", não combinam com adoração ao Deus soberano.
O sofrimento é uma realidade que faz parte da vida do Cristão neste mundo. A forma como nós o encaramos faz toda diferença. No sofrimento, Jó conheceu a Deus de perto e não apenas de ouvir falar. O sofrimento na vida do crente não é para destruí-lo e sim para aperfeiçoá-lo e aproximá-lo de Deus.
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