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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2026

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Hospitalidade cristã: amor ao próximo sem abrir mão da prudência

Prática bíblica de acolhimento ao próximo deve ser equilibrada com prudência e fidelidade à doutrina.

Hospitalidade cristã: amor ao próximo sem abrir mão da prudência
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A palavra grega traduzida por hospitalidade neste texto é philoxenia que é formada por dois termos gregos philos “amor, amizade” e xenos “estrangeiro, pessoa de fora”. É uma referência ao acolhimento de uma pessoa de fora ou estrangeiro que necessita de abrigo. Era uma necessidade muito comum nos tempos bíblicos, pois as pessoas faziam longas viagens a pé ou a cavalo e não haviam hotéis e pousadas como nos dias atuais.

O escritor da Epístola aos Hebreus escreveu a seguinte recomendação: “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos” (Hb 13.2). Muito provavelmente, essa recomendação, remete ao episódio envolvendo Abraão, que, sem o saber, recebeu mensageiros celestiais em sua tenda. Ao avistar três homens vindo em sua direção, Abraão, ao que tudo indica, não sabia de quem se tratava. 

Naquele contexto, era costume acolher viajantes desconhecidos com hospitalidade, pois poderiam ser emissários de autoridades ou portadores de alguma mensagem importante. Correr ao encontro do visitante, prostrar-se em terra e oferecer-lhe abrigo eram práticas comuns no Antigo Oriente.

Sem saber quem eram os visitantes, Abraão colocou em prática a hospitalidade, oferecendo-lhes uma recepção de excelência. Pediu que se abrigassem do sol à sombra de uma árvore e, imediatamente, ordenou que lhes trouxessem água para lavar os pés. Providenciou pão para que se alimentassem e solicitou que Sara preparasse bolos.

Enquanto Sara os preparava, Abraão correu ao rebanho, escolheu um novilho tenro e bom e ordenou que fosse preparado para os visitantes. Trouxe também manteiga — em algumas versões, coalhada ou queijo fresco — e leite, servindo-os enquanto a refeição era preparada. Durante todo o tempo, permaneceu à disposição dos visitantes, servindo-os com diligência.

A hospitalidade é uma prática recomendada aos cristãos no Novo Testamento em diversos textos das Epístolas. Ser hospitaleiro era um requisito exigido para o exercício do episcopado (1Tm 3.2). Entretanto, faz-se necessário apresentar algumas ponderações quanto ao exercício da hospitalidade.

A exortação bíblica surge em um contexto histórico no qual não havia a estrutura de hospedagem como nos dias atuais. Praticar a hospitalidade, naquele contexto, era, portanto, uma atitude nobre que refletia o amor ao próximo. Contudo, a Palavra de Deus não orienta a acolher indiscriminadamente qualquer pessoa.

O apóstolo João adverte que não se deve receber em casa aqueles que não permanecem na doutrina de Cristo (2Jo 10,11). Da mesma forma, o apóstolo Paulo instrui a evitar os que promovem divisões e escândalos contra a sã doutrina (Rm 16.17), bem como os que vivem de maneira desordenada, recusando-se a trabalhar (2Ts 3.6).

A hospitalidade cristã, portanto, deve ser exercida com discernimento. Não se deve acolher, seja no lar ou na igreja, pessoas que ameacem a unidade do Corpo de Cristo, comprometam a ortodoxia doutrinária ou coloquem em risco a segurança da família. Vivemos em um tempo em que muitos se apresentam de forma enganosa; por isso, é indispensável aliar amor cristão e prudência.

Weliano Pires é ministro do Evangelho, bacharel em teologia, articulista, blogueiro evangélico e professor da Escola Dominical na Assembléia de Deus / Ministério do Belém, em São Carlos-SP.

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