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Quinta-feira, 05 de Novembro de 2026
Antes de Dizer “Sim”: Como Escolher a Pessoa Certa para o Casamento

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Antes de Dizer “Sim”: Como Escolher a Pessoa Certa para o Casamento

Princípios bíblicos e orientações práticas para escolher com sabedoria a pessoa com quem compartilhar a vida.

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Por Weliano Pires 

Há muitas pessoas sérias e de boa índole que se casam, mas o casamento não sobrevive, apesar de todos os esforços empreendidos. Muitas vezes, isso acontece porque se casam com a pessoa errada.

Deus nos deu o livre-arbítrio para escolher o que quisermos, mas as nossas escolhas trazem consequências. No casamento, não é diferente. O primeiro passo para um casamento bem-sucedido é a escolha do cônjuge.

Como saber quem é a pessoa certa para nos casarmos? Existe uma pessoa certa para cada um de nós? Quais são os critérios que devemos usar no processo de escolha do futuro cônjuge?

Precisamos ter em mente que alma gêmea, príncipe encantado e Cinderela só existem nos romances e contos de fadas. Na vida real, a realidade é outra. Por isso, devemos ter muito cuidado, equilíbrio e paciência para escolher bem com quem casar.

É possível que, ao terminar de ler este artigo, algumas pessoas que se casaram com a pessoa errada fiquem irritadas e questionem por que ninguém lhes falou dessas coisas antes de se casarem.

Estas orientações são dirigidas especialmente àqueles que ainda não se casaram, pois o cristão não pode desfazer o seu casamento por haver diferenças entre o casal. A etapa da avaliação é antes de se casar.

Entretanto, estas orientações também podem servir de base para aqueles que já se casaram orientarem seus filhos, sobrinhos, jovens da igreja e amigos que estão pensando em se casar e não têm experiência de vida.

A importância da oração

Deus não escolhe a pessoa com quem devemos casar. Contudo, como não somos oniscientes, antes de casar devemos orar a Deus para que Ele coloque em nosso caminho a pessoa certa e afaste as pessoas erradas.

Eliezer, servo de Abraão, recebeu de seu senhor a missão de encontrar uma esposa para Isaque. Na cultura da época, eram os pais que escolhiam a esposa para os filhos e negociavam o casamento com os pais da moça.

Não era uma tarefa fácil para Eliezer, pois foi a um povo que não conhecia em busca de uma noiva para um rapaz que aquele povo também não conhecia, embora fossem parentes.

No caminho, ele fez uma oração pedindo que Deus enviasse ao seu encontro a moça certa para Isaque, e aconteceu exatamente como ele pediu (Gn 24.12-14).

Naturalmente, isso não faz parte da cultura ocidental, pois aqui cada um escolhe a pessoa com quem pretende se casar. Entretanto, o princípio de orar a Deus para que Ele nos dirija na escolha continua válido, como em outras áreas da vida cristã.

Depois de orar, o jovem cristão deve observar à sua volta se, porventura, essa pessoa está por perto, pois, se ficar orando a vida inteira e não procurar alguém para casar, o tempo passa e a pessoa não se casa.

Duas questões importantes a considerar

Antes de casar, precisamos responder a pelo menos duas perguntas:

1. Quero mesmo casar?

Ninguém é obrigado a se casar e nem todos têm esse chamado ou essa inclinação. A vida de casado muda completamente a rotina, e nem todos estão preparados para essas mudanças.

Quem não gosta de dar satisfações por seus atos, gosta de viajar sozinho, dormir fora de casa e não tem controle dos próprios gastos, não deve se casar. Essas práticas são incompatíveis com a vida conjugal.

A vida de casado exige rotina, trabalho e responsabilidades com a família, que geralmente não fazem parte da vida dos solteiros — exceto nos casos daqueles que não moram com os pais e são responsáveis pelo próprio sustento. Mesmo assim, é muito diferente sustentar a si mesmo e sustentar uma família

2. Com quem devo casar?

Escolher a pessoa com quem pretendemos viver o resto da vida não é tarefa fácil. Há vários fatores a serem observados para não se casar com a pessoa errada.

Certa vez, na minha juventude, conversei com um idoso, amigo do meu avô, que já era viúvo. Perguntei-lhe se pretendia se casar novamente.

Ele respondeu que não, pois sabia que jamais encontraria alguém como sua falecida esposa. Depois concluiu:

— Se você se casar com a pessoa certa, viverá como se estivesse no céu. Mas, se se casar com a pessoa errada, sua vida será um verdadeiro inferno.

A questão do jugo desigual

O crente não deve se prender a um jugo desigual, pois a Bíblia diz: “Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Am 3.3).

O apóstolo Paulo escreveu aos coríntios:

“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis.” (2 Co 6.14). 

O jugo era uma espécie de canga usada para emparelhar dois bois ao arado ou ao carro de boi. Se um animal fosse maior que o outro, o jugo ficava desigual, o que causava desconforto e tornava o peso desproporcional, podendo até impedir o funcionamento adequado.

Paulo utilizou essa figura de linguagem em relação à mistura do culto a Deus com os ídolos. Contudo, pode ser aplicada também ao relacionamento conjugal. Existem vários tipos de jugos desiguais que podem prejudicar o casamento e até causar separações

O jugo da fé

Não se trata de preconceito ou intolerância religiosa. Pessoas que seguem religiões e crenças diferentes podem tornar a relação conjugal difícil e até inviável.

Um casamento dificilmente dará certo, por exemplo, se um for cristão e o outro satanista. Ou no caso de um judeu se casar com uma muçulmana. O confronto será inevitável.

Mesmo dentro do Cristianismo há jugos desiguais. Por exemplo, se o marido pertence à Assembleia de Deus e a esposa à Congregação Cristã no Brasil. Embora sejam igrejas pentecostais nascidas na mesma época, são diferentes em vários aspectos.

A Congregação Cristã é mais fechada e exclusivista, não mantendo comunhão com pessoas de outras igrejas evangélicas. Isso pode gerar conflitos.

Mesmo que houvesse comunhão, um dos dois teria que mudar de igreja para congregarem juntos e criarem os filhos na mesma orientação.

Conheci um casal que era da Assembleia de Deus. Depois de muitos anos, a esposa mudou-se para a Congregação Cristã. Até então viviam bem, mas surgiram divergências por causa das diferenças entre as igrejas. Lamentavelmente, o casamento terminou.

O jugo socioeconômico

Refere-se à condição social muito diferente entre os cônjuges. Pode parecer uma questão secundária, mas pode trazer muitos problemas ao casamento.

Por exemplo, um grande empresário, poliglota, casar-se com uma pessoa semianalfabeta — ou vice-versa. Como frequentarão os mesmos ambientes?

Para a parte rica talvez não haja tantos problemas em visitar a família da parte pobre. Mas como a parte mais humilde acompanhará a outra em seus círculos sociais? Inevitavelmente, surgirão comentários. 

O jugo da diferença de idade

Muitos romantizam essa questão e afirmam que o amor não tem idade. Mas será que, na prática, isso é verdade?

Imaginemos uma mulher de cinquenta anos que se casa com um rapaz de dezoito, ou ou uma mulher jovem com um homem mais velho. No princípio, apaixonados, tudo são flores.

Entretanto, passados vinte anos, um estará com setenta e o outro com trinta e oito. Inevitavelmente, surgirão comentários e questionamentos.

Além disso, podem surgir problemas de saúde, efeitos naturais da idade e diferenças culturais significativas. Uma pessoa nascida nos anos 60 tem referências culturais muito diferentes de alguém nascido nos anos 90.

O jugo geográfico

A naturalidade da pessoa, mesmo dentro do Brasil — um país de dimensões continentais — pode fazer diferença, devido à grande diversidade cultural entre as regiões.

Eu, por exemplo, sou pernambucano e minha esposa é paulista. A adaptação não foi difícil porque eu já morava em São Paulo havia mais de dez anos quando nos casamos.

Muitas pessoas migram para o Sudeste com o objetivo de trabalhar por um período e depois retornar à terra natal. Se ambos compartilham desse plano, não há problema.

Entretanto, se um deseja retornar e o outro não, o conflito pode surgir. Muitas separações ou infelicidades acontecem por esse motivo.

O jugo das profissões

Todos precisamos trabalhar, e quem se casa ainda mais. Seria ideal trabalhar apenas oito horas por dia, perto de casa e folgar nos fins de semana. Contudo, essa não é a realidade de muitas profissões.

Algumas exigem mudanças frequentes de cidade, estado ou país. Outras demandam viagens prolongadas.

Quem trabalha em plataformas de petróleo, por exemplo, pode passar quinze dias embarcado em alto-mar, sem voltar para casa. Caminhoneiros rodoviários muitas vezes passam semanas ou meses fora.

Antes de casar, é necessário conversar sobre a profissão do outro e avaliar se ambos estão dispostos a enfrentar essas circunstâncias. Mesmo com a tecnologia atual, não é fácil para um cônjuge assumir sozinho a responsabilidade da casa e dos filhos por longos períodos.

A questão da afinidade

Não vivemos mais na época em que os pais escolhiam os cônjuges sem considerar o relacionamento entre eles.

Também não vivemos no tempo em que casamentos eram acordos políticos entre nações.

No Brasil, por exemplo, Dom Pedro I casou-se por procuração com a Imperatriz Leopoldina e só a conheceu pessoalmente meses depois.

Hoje, com a internet, surgiram relacionamentos virtuais. Embora existam meios de verificação, sempre há riscos ao unir a vida a alguém conhecido apenas à distância.

A pessoa com quem nos casamos será inserida profundamente em nossa intimidade. Dividiremos quarto, banheiro, finanças, lazer, educação dos filhos e momentos bons e difíceis.

Por isso, é indispensável conhecer seus gostos, comportamentos e valores, avaliando o grau de compatibilidade.

Não existe alguém exatamente como idealizamos. Contudo, não devemos nos casar com alguém absolutamente incompatível conosco, pois isso transformará o casamento em sofrimento para ambos.

Critérios para observação

No início do namoro, as pessoas tendem a mostrar apenas suas qualidades e esconder os defeitos. Além disso, quando estão apaixonadas, muitas vezes ignoram erros graves do outro, acreditando que haverá mudanças após o casamento.

Esse é um grande equívoco. O namoro é o período de conhecimento e avaliação. Caso notem alguma diferença gritante ou incompatibilidade, não devem levar o namoro adiante. Tolerar certas práticas durante o namoro e cobrar mudanças após o casamento é tolice. 

O ideal é observar a pessoa antes mesmo de iniciar o namoro. Buscar informações sobre seu comportamento, seus valores e seus objetivos de vida.

É importante verificar se trabalha, estuda, possui responsabilidade financeira, quais são seus planos para o futuro, como trata a família, seus hábitos de higiene e, principalmente, se serve a Deus com fidelidade.

Certa vez, eu presenciei um casal discutindo e a mulher reclamava porque o marido bebia muito. Ele, de imediato respondeu:

— Ora, onde você me conheceu? Não foi em um bar?

Por incrível que pareça, ele tinha razão. Quem se casa com alguém que conheceu em um bar, consumindo bebida alcoólica, não tem o direito de reclamar da bebida após o casamento. 

Há casos também de pessoas que foram traídas durante o namoro, ou namoram alguém que era comprometido, sendo protagonista de uma traição. Depois se casam com essa pessoa e reclamam de infidelidade. Ora, estava claro que a pessoa era infiel durante o namoro. 

Outra situação muito grave é quando a pessoa é muito ciumenta e agressiva durante o namoro. Se nesta fase, que é um período de encanto, a pessoa é agressiva, imagine após o casamento! É certo que irá controlar, bater ou até matar o outro. 

Se não for agressivo com a namorada, mas agride outras pessoas do círculo familiar como mãe, irmãs e sobrinhas é sinal de que é um covarde que não respeita as mulheres.  

Claro que ninguém é perfeito e sempre haverá divergências. Porém, certos comportamentos inadequados antes do casamento são evidências de que a vida a dois será praticamente impossível. 

É muito importante também que os jovens fiquem atentos aos conselhos dos pais, dos tios, dos mais velhos, do pastor, do líder de jovens, de amigos e de outras pessoas que nos alertam. 

Muitos dizem que se conselho fosse bom, não seria gratuito. Entretanto, há bons conselhos, de pessoas que querem o nosso bem e estão vendo a situação de fora, com um olhar crítico. É importante prestar atenção no que estas pessoas dizem.

Esses critérios são fundamentais para fazer uma boa escolha e não devem ser ignorados. É melhor sofrer um pouco por terminar um namoro com a pessoa errada, do que casar e sofrer o resto da vida. 

Weliano Pires

Ministro do Evangelho, bacharel em Teologia, articulista, escritor, blogueiro evangélico e professor da Escola Bíblica Dominical na Assembleia de Deus — Ministério do Belém, em São Carlos (SP).

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Imagem gerada por inteligência artificial
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