O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou a reeleição neste domingo, 25. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele alcançou mais de 50% dos votos válidos.
Com 98,76% das urnas apuradas, Lula tem 51,75% dos votos, indica o TSE. Dessa forma, segundo a Justiça Eleitoral, não tem como o petista encerrar a disputa deste domingo com menos de 50% dos votos válidos. Ou seja, nesta segundo turno, ele venceu a disputa travada diretamente contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que ficou com 48,25.
A apuração do segundo turno começou depois do horário previsto. A votação acabaria em todo o Brasil às 17h do horário de Brasília. Em decisão monocrática, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, estendeu o prazo de votação até as 19h. A decisão do magistrado, contudo, se tornou pública depois das 17h. Dessa forma, diversas sessões eleitorais, que já haviam sido fechadas, não retomaram a votação.
O resultado deste domingo representa reviravolta. Isso porque Flávio terminou o primeiro turno à frente de Lula, com 47,03% a 45,16% dos votos válidos.
Reeleito, Lula permanecerá à frente do Palácio do Planalto até 2030. Será o quarto mandato dele como presidente do país. A primeira eleição para o cargo se deu em 2002, com a reeleição em 2006. O político do PT voltou ao poder em janeiro de 2023, depois de superar o então presidente Jair Bolsonaro no segundo turno do pleito de 2022.
Assim como há quatro anos, Lula tem Geraldo Alckmin (PSB) como companheiro de chapa na eleição de 2026. O vice-presidente foi governador de São Paulo durante quatro mandatos.
Além de PT e PSB, a coligação que reelegeu Lula e Alckmin conta com outros cinco partidos de esquerda: PDT, PCdoB, PV, Psol e Rede Sustentabilidade.
Medidas eleitoreiras de Lula
A eleição de Lula neste segundo turno ocorre mesmo diante de altos índices de rejeição. Divulgado neste sábado, 24, levantamento da Quaest mostrou que 47% dos brasileiros afirmaram que não votariam nele de jeito nenhum.
Diante da desaprovação elevada, o governo Lula adotou séries de medidas eleitoreiras no decorrer das últimas semanas. São ações que impactam negativamente os cofres públicos.
Em 17 de setembro, o governo Lula anunciou o reajuste de 15% do valor mínimo do Bolsa Família, de R$ 600 para R$ 691. A nova quantia passou a valer em outubro, com pagamento já feito depois do primeiro turno. De acordo com o Ministério do Planejamento, o aumento terá impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027. Apesar de tomada a 17 dias da realização do primeiro turno, a medida foi validada pelo decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
Já em 26 de setembro, a equipe econômica anunciou a prorrogação por mais 30 dias do subsídio ao diesel.
Com direito a discurso exibido por emissoras de TV, Lula anunciou, em 25 de setembro, a edição de medida provisória que visa a proibir as apostas esportivas on-line, popularmente chamadas de bets, no país. Com declarações contra esse tipo de atividade, o presidente ignorou o fato de a regulamentação — e, consequentemente, a taxação — do setor ter se dado em seu atual governo.
Depois do primeiro turno, o governo Lula agiu nos bastidores para o Congresso Nacional aprovar o fim da escala de trabalho 6×1. A medida é criticada pelo setor produtivo, que estima elevação de custos e fechamento de postos de trabalho.
O petista também anunciou nova versão do Desenrola, para tentar facilitar o pagamento de dívidas. Perdoar contas pendentes de microempreendedores individuais foi outra decisão tomada pelo presidente nas últimas semanas.
Assim, com medidas eleitoreiras, Lula conquistou, segundo o TSE, mais de 50% dos votos válidos neste domingo.