O governo da Argentina, comandado por Javier Milei, decidiu não parabenizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória nas eleições de 2026. Em entrevista coletiva na Casa Rosada, em Buenos Aires, o porta-voz da Presidência argentina, Adrián Ravier, afirmou nesta terça-feira, 27, que o país apenas “tomou nota” do resultado.
Ravier explicou a ausência de cumprimentos ao citar o comportamento de Lula em 2023. Na ocasião, o petista não fez um gesto pessoal de congratulação a Milei depois da eleição argentina. “O presidente não é um hipócrita; é evidente que há diferenças ideológicas entre os dois mandatários”, declarou o porta-voz.
Segundo o porta-voz, não haverá nota formal do Ministério das Relações Internacionais argentino sobre a eleição no Brasil. A posição oficial é apenas registrar o resultado. “Quando em 2023 Javier Milei foi eleito, não houve nenhum gesto do presidente Lula para cumprimentá-lo pessoalmente nem nada”, afirmou.
Lula não fez gesto em 2023
Apesar do distanciamento político, o porta-voz garantiu que a relação comercial entre os dois países segue normal. Ravier afirmou que Brasil e Argentina continuarão trabalhando juntos no Mercosul. “São dois povos irmãos, comercializam, trabalham no Mercosul, não deveria ser afetado”, disse. “Para Milei, são muito mais importantes os dois povos e o comércio do que as diferenças ideológicas entre os mandatários.”
Ravier insistiu em que a diplomacia e o comércio devem continuar sem mudanças, priorizando a relação entre os povos. “Do lado argentino, a diplomacia continua, as relações comerciais continuam, e não esperamos que nada disso mude”, completou o porta-voz.
Na coletiva, Ravier também respondeu a rumores sobre uma possível entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) na Argentina depois da derrota nas eleições do Brasil. “Não houve nenhum pedido de asilo”, declarou o porta-voz, encerrando as especulações sobre o assunto.