As enchentes que atingiram o Nepal nesta semana deixaram pelo menos 675 mortos no país, de acordo com informações da agência Reuters. O número sobe para 683 com as vítimas registradas no lado chinês da fronteira, na região do Tibete. O ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, afirmou que o país pode precisar de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões para a reconstrução.
Quase 3 mil pessoas continuam desaparecidas: cerca de 2.426 no Nepal e pelo menos 554 no condado de Gyirong, no Tibete, incluindo cerca de 540 estrangeiros, muitos deles peregrinos hindus vindos da Índia.
“Esta é apenas uma estimativa”, afirmou Wagle. “As perdas e os danos estão sendo avaliados.” O ministro não explicou por que se espera que o custo da reconstrução seja inferior aos US$ 9 bilhões gastos depois do terremoto de magnitude 7,8 de 2015, que matou quase 9 mil pessoas e destruiu mais de 500 mil residências.
Enchentes no Nepal afetam economia e energia
As enchentes representam um duro golpe para a economia nepalesa, dependente de remessas de trabalhadores no exterior, turismo e energia hidrelétrica. Projetos de geração que respondem por mais de 12% da capacidade nacional foram danificados.
O governo suspendeu por algumas horas as operações de busca e resgate neste sábado, 29, devido ao mau tempo. O ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, afirmou que o país não precisa de ajuda nas operações de busca e resgate, mas de apoio técnico.
Dentre as necessidades estão prestar assistência para retirar pessoas presas em túneis, restabelecer ligações de transporte e comunicação em locais onde a força das águas destruiu pontes, identificar os mortos, realizar testes de DNA e armazenar corpos por períodos mais longos.
Resgate e identificação das vítimas
Autoridades afirmaram que a equipe resgatou alguns corpos em processo avançado de decomposição, o que impede o reconhecimento imediato. A administração sepultará as vítimas depois do cumprimento das formalidades legais para evitar riscos à saúde e o surgimento de epidemias. “As equipes coletarão amostras de DNA e sepultarão os corpos em um espaço aberto”, informou a administração do distrito de Chitwan.
A polícia encontrou 10 corpos em três pontos do estado de Uttar Pradesh, no norte da Índia, em rios que descem do Nepal. A autoridade de gestão de desastres do Nepal incluiu 933 trabalhadores na lista de desaparecidos, grupo que reúne trilheiros e peregrinos a caminho do monte Kailash, considerado sagrado no Tibete.
Os sobreviventes dizem ter perdido tudo. “Todos os povoados próximos ao rio foram arrasados. Não sobrou nada”, afirmou à AFP o sobrevivente Buddhi Ram Dangol.
A China enviou cinco especialistas em túneis ao Nepal para auxiliar nos resgates, informou a agência estatal Xinhua. A equipe foi enviada de helicóptero a pedido do governo nepalês para participar das operações em uma usina hidrelétrica onde dezenas de pessoas permanecem presas em um túnel desde a catástrofe.