Portal Sal da Terra

Quinta-feira, 03 de Setembro de 2026

Notícias Mundo

Cientistas estudam caso de mulher de 75 anos que não sente dor

O caso de "analgesia congênita" intriga os cientistas, que veem na ausência de dor uma oportunidade para novo medicamento

Cientistas estudam caso de mulher de 75 anos que não sente dor
Foto de Sangharsh Lohakare na Unsplash /Reprodução
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Se um gênio saído de uma lâmpada mágica perguntasse às pessoas o que elas mais desejam na vida certamente ouviria: “Não sentir dor”. Uma escocesa de 75 anos, no entanto, teve seu desejo realizado, mas não por meio de uma intervenção mágica, ela é portadora de uma disfunção genética chamada de analgesia congênita. Jo Cameron passou pela vida sem sentir dor, nem as cirurgias e os partos que enfrentou foram capazes de provocar sofrimento físico à mulher.

Em entrevista à BBC, Cameron afirmou que a única forma de saber se sua pele está queimando é por meio da visão ou do olfato, porque para ela o sofrimento físico não passa de um “conceito abstrato”. De acordo com os médicos, a “doença” de Cameron é compartilhada com poucas pessoas em todo o mundo. Uma em cada 1 milhão de pessoas na Terra nasce com a analgesia congênita, condição com múltiplas causas genéticas que podem vir com outros sintomas, como ausência de olfato e excesso de suor.

Pesquisadores da University College London (UCL) estão estudando os genes da escocesa, a fim de entender como os caminhos da dor podem ser desativados em pessoas que sofrem com condições crônicas. Obviamente, a dor é um sinal de alerta para o organismo; em algumas pessoas, porém, a dor pode permanecer num estado hiperativo, caracterizado como dor crônica. A genética de Jo Cameron pode ajudar os cientistas a desvendar os segredos para o fim do sofrimento.

Uma selfie de Jo Cameron. ( Jo Cameron/UCL )

 

Droga para acabar com o sofrimento

James Cox, geneticista da UCL, disse: “Ao entender precisamente o que está acontecendo em nível molecular, podemos começar a entender a biologia envolvida, e isso abre possibilidades para a descoberta de drogas que podem um dia ter impactos positivos de longo alcance para os pacientes”.

A analgesia congênita de Cameron é causada por uma variação de um gene específico presente no seu DNA, e que foi descoberto e nomeado em 2019 pela equipe do dr. Cox. Os cientistas encontraram a origem da disfunção numa parte do genoma humano que antes se acreditava ser completamente inútil. A verdade é que os cientistas descobriram que esse “gene lixo” é fundamental para a modulação de outro gene, chamado FAAH. Este gene é conhecido como “gene feliz”, porque é capaz de tornar as pessoas menos ansiosas e mais “distraídas”.

Cameron é incapaz de sentir até mesmo a adrenalina típica de uma situação de medo extremo, como a iminência de um acidente de trânsito. Os cientistas vêm há décadas tentando sintetizar os efeitos desse arranjo genético em uma droga, a fim de aliviar — ou extinguir — a dor dos pacientes. No entanto, nenhuma substância passou nos testes em humanos ainda.

Jo Cameron descobriu que era diferente só aos 65 anos. Um dos pesquisadores da UCL disse: “Como cientistas, é nosso dever explorar, e acho que essas descobertas terão implicações importantes para áreas de pesquisa como cicatrização de feridas, depressão e muito mais”.

O estudo completo foi publicado no periódico científico Brain.

FONTE/CRÉDITOS: Revista Oeste

Veja também