Portal Sal da Terra

Sabado, 30 de Maio de 2026

Notícias Meio Ambiente

Brasil ampliará cooperação bilateral sobre clima com um dos países mais poluidores do mundo

Brasil ampliará cooperação bilateral sobre clima com um dos países mais poluidores do mundo
Arquivo/RCP
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Apontada como um dos países que mais emitem gases poluentes do mundo, a China esteve recentemente sob forte pressão internacional por ser a maior fonte mundial dos gases causadores do efeito estufa. Em 2021, a gigante asiática foi confrontada na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26).

Na ocasião, Pequim apresentou chegou até a apresentar suas metas climáticas atualizadas, mas sem refletir em algo surpreendente, com promessas de reduzir emissões de carbono antes de 2030 e alcançar neutralidade até 2060.

Ainda naquele ano, o relatório divulgado pela própria COP-26 mostrou que a China é o país mais poluidor da atmosfera, sendo responsável por 31% da emissão de CO² (carbono), principal gás do efeito estufa daquele período. O estudo foi anunciado durante a conferência do meio ambiente, realizado pelo consórcio internacional de cientistas Global Carbon Project.

Historicamente, os Estados Unidos costumavam liderar os rankings globais relacionados às nações poluentes. No entanto, em 2006, a China disparou e ultrapassou os EUA como o maior emissor mundial de dióxido de carbono (CO2) — gás do efeito estufa mais abundante na atmosfera.

 

A poluição de Pequim vista do China World Hotel, em março de 2003, durante o surto de SARS — Arquivo/RCP

13 anos depois, em 2019, período que antecedeu o surto da Covid-19 no mundo, as emissões desses gases pela China foram quase 2,5 vezes maiores do que as dos Estados Unidos e mais do que todos os países em desenvolvimento juntos, de acordo com uma análise do Grupo Rhodium.

Em termos equivalentes de CO2 — forma de medir todos os gases de efeito estufa como se fossem CO2 — o país asiático emitiu 14,1 bilhões de toneladas métricas em 2019, que correspondeu a mais de um quarto das emissões totais do mundo.

Brasil e China

Agora, em 2023, sob comando de uma nova gestão federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder chinês Xi Jimping concordaram em “ampliar, aprofundar e diversificar a cooperação bilateral” entre o Brasil e a China, sob alegação de combate às mudanças climáticas.

Conforme uma nota conjunta divulgada nesta sexta-feira (14), os líderes reconheceram que o assunto “representa um dos maiores desafios” do cenário atual e que o enfrentamento da crise “contribui para construir um futuro compartilhado de prosperidade equitativa e comum para a humanidade”.

Entre as ações que os países se comprometeram a adotar está o estabelecimento de um Subcomitê de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas no contexto da Cosban (Comitê de Coordenação e Cooperação de Alto Nível China-Brasil), além de trabalharem juntos em áreas de transição para, segundo as duas nações, atuarem em favor de uma economia global sustentável e de baixo carbono, no desenvolvimento de indústrias verdes de energias renováveis, na mobilidade elétrica, entre outros.

— Pretendemos nos engajar de forma colaborativa no apoio à eliminação do desmatamento e da exploração madeireira ilegal global através da aplicação efetiva de suas respectivas leis de proibição de importações e exportações ilegais — diz o comunicado.

As nações também devem atuar no desenvolvimento do novo satélite CBERS-6 que, segundo as autoridades, visa permitir “um melhor monitoramento da cobertura florestal”. O setor de tecnologia, inclusive, faz parte do programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), firmado em 1988 entre os dois países.

FONTE/CRÉDITOS: Conexão Política

Veja também