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Sexta-feira, 24 de Abril de 2026

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AGU garante na Justiça continuidade de obras de melhoria da navegação no Porto de Paranaguá

Mais de R$ 1 bilhão em investimentos poderiam deixar de ser realizados caso porto não obtivesse condições de navegabilidade previstas

AGU garante na Justiça continuidade de obras de melhoria da navegação no Porto de Paranaguá
Agência Estadual de Notícias do Paraná
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A Advocacia-Geral da União (AGU) garantiu na Justiça a continuidade das obras de derrocagem da região das Pedras Palanganas, área de acesso ao Porto de Paranaguá, no Paraná.

As obras têm como objetivo garantir a segurança da navegação a partir da remoção de pedras e material submerso, o que permitirá o aprofundamento do canal.

A atuação se deu após uma ação civil pública - proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Paraná (MPE-PR) em face do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) e do Consórcio Boskalis -, pedir a nulidade do licenciamento ambiental promovido pelo Ibama. A 11ª Vara Federal de Curitiba chegou a atender parcialmente o pedido dos autores.

Mas a AGU, por meio da Procuradoria Regional da União da 4ª Região (PRU4), recorreu ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região para reverter a decisão liminar.  A União ingressou na causa como assistente da autarquia federal e como parte interessada, já que a administração e a exploração da área foram delegadas pela União ao Estado do Paraná (que a realiza por intermédio da APPA) e a suspensão da obra representava prejuízos ao serviço portuário e aos cofres públicos.

A Advocacia-Geral enfatizou que o empreendimento é necessário para a conclusão do aumento do calado do Porto de Paranaguá, que teve início em 2017 e no qual já foram investidos mais de R$ 400 milhões pela União, sendo que essa obra complementar correspondente a 0,002% de todo o serviço executado pela contratação da União. Assim, sem o derrocamento, os ganhos projetados pela contratação tornariam sem a devida efetividade a aplicação dos recursos.

A AGU assinalou também que o aumento do calado é fundamental para a segurança da navegação e dos usuários. Por meio de estudo e parecer técnico, foi demonstrado que a região das Pedras das Palanganas possui alto risco para a operação de aproximação e manobra de atracação das embarcações.

A Procuradoria também alertou que o impedimento das obras comprometeria o planejamento portuário do Estado do Paraná e que as licitações programadas (e as já realizadas) poderiam ser questionadas pelos empreendedores, que já haviam projetado o transporte de carga considerando o canal aprofundado. Segundo informações do Ministério da Infraestrutura, caso o porto não atingisse as condições de navegabilidade previstas, mais de R$ 1 bilhão em investimentos em arrendamentos poderiam deixar de ser realizados.

Por fim, os advogados da União reiteraram que o licenciamento ambiental promovido pelo Ibama está dentro das normas de regência e preserva o ambiente local.

A desembargadora Vivian Josete Pantaleão Caminha, relatora do caso no TRF4, acatou os argumentos da AGU e destacou que a controvérsia ambiental não se encerra com a derrocagem, uma vez que existem medidas mitigadoras e de controle a serem cumpridas após o procedimento.

“Foi uma importante vitória obtida porque a derrocagem permitirá uma maior segurança à navegação, evitando, inclusive, eventos passados de colisão de embarcações em pedras submersas que despejaram material poluente no mar”, explicou o Advogado da União Ricardo Gewehr Spohr. “Além disso, preservou os investimentos públicos já realizados e os futuros já projetados na região”, concluiu.

Porto de Paranaguá

O Porto de Paranaguá é estratégico e comercialmente de grande importância para o país. São cerca de US$ 30 bilhões em mercadorias exportadas e importadas em seu complexo, correspondendo a mais de um terço do Produto Interno Bruto do Estado do Paraná.

FONTE/CRÉDITOS: AGU - Advocacia-Geral da União

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