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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2026

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Qual a nossa motivação em ajudar ao próximo?

Jesus tratou nessa parte do Sermão do Monte das motivações que levam as pessoas a ajudar os necessitados.

Qual a nossa motivação em ajudar ao próximo?
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(Mateus  6.1-4)

Ajudar ao próximo era um preceito muito importante no Judaísmo. Na Lei Mosaica, Deus ordenou que os israelitas socorressem aos pobres: “Quando entre ti houver algum pobre de teus irmãos, em alguma das tuas portas, na tua terra que o Senhor, teu Deus, te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás a tua mão a teu irmão que for pobre; antes, lhe abrirás de todo a tua mão e livremente lhe emprestarás o que lhe falta, quanto baste para a sua necessidade.” (Dt 15.7,8). A esmola era um dos quesitos mais importantes da espiritualidade judaica. Era considerada a primeira na lista das boas obras.

No Cristianismo primitivo também sempre foi visto como obrigação dos cristãos socorrer aos necessitados. Jesus também ensinou os seus discípulos a fazerem doações aos necessitados: “Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.” (Lc 6.38). A Igreja Primitiva também adotou como regra, a ajuda aos pobres: “Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha.” (At 4.34,35). 

O apóstolo Paulo em suas epístolas, sempre faziam menção a ajuda aos pobres, ordenando que se fizessem coletas para a assistência aos pobres: “Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar.” (1 Co 16.1,2). Tiago, por sua vez, caracterizou a ajuda aos necessitados como característica de uma religião pura e imaculada: “A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.” (Tg 1.27). O apóstolo João questionou se o amor de Deus estaria em alguém que, tendo condições, não socorre aos necessitados: “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus?” (1 Jo 3.17).

A generosidade para com os necessitados é algo inerente tanto ao Judaísmo, como ao Cristianismo. Não se discute a sua importância. Entretanto, o que Jesus tratou nessa parte do Sermão do Monte foi das motivações que levam as pessoas a ajudar os necessitados. A teologia judaica é retribucionista, ou seja, crer que Deus retribui com o bem a quem faz bem e, com o mal, a quem faz o mal. Quando lemos os Salmos, isso fica muito claro. Os salmistas expressavam o desejo de que Deus retribuisse aos seus inimigos, os males que estes lhe causavam. 

No Cristianismo, tanto Jesus como os apóstolos ensinaram que Deus é bom e faz o bem a quem não merece: “Para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.” (Mt 5.45). O apóstolo Paulo, falando sobre a justificação pela fé disse: “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Rm 5.8). 

A motivação para ajudarmos aos necessitados não deve ser para receber recompensas, ou a auto justificação. Deve ser unicamente a compaixão pela necessidade do próximo. Há pessoas que fazem obras assistenciais louváveis. Mas, as motivações são egoístas e com interesses escusos. Há políticos que desenvolvem trabalhos sociais, com o objetivo de obter votos. Religiosos também fazem obras sociais, com o objetivo de fazer propaganda da sua religião, ou por acreditar na justificação pelas obras. 

Jesus conhece as intenções dos nossos corações. Sendo assim, as perguntas que devemos fazer a nós mesmos, antes de fazer qualquer coisa para Deus ou pelo próximo são: Por que estou fazendo isso? Com que objetivo? Se ninguém estivesse vendo, eu faria isso da mesma forma? Estou esperando receber alguma coisa por isso?

Se os nossos objetivos forem obter reconhecimento humano, deduzir no imposto de renda, obter ganhos políticos, promover a nossa denominação ou o nosso ministério, estamos nos comportando como hipócritas. Não podemos também considerar a ajuda ao próximo como um favor a ser retribuído por ele, ou um "carta na manga" para usá-lo em momento oportuno contra ele. Isso é coisa de mercenário, que é aquele que faz qualquer coisa para se dar bem, inclusive "ajudar" os outros.”

 

 

Weliano Pires é professor da Escola Dominical e evangelista da Assembléia de Deus, Ministério do Belém em São Carlos - SP.

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