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Coluna/Opinião

O terrível pecado do adultério e as suas consequências

Deus sabia perfeitamente que o adultério representa uma ameaça à família. Por isso, deixou expressamente proibido na Lei.

O terrível pecado do adultério e as suas consequências
Missão Gospel
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Leitura bíblica: Êxodo 20.14; Mateus 5.27,28.

O adultério sempre foi considerado um pecado gravíssimo, que era punido com a pena capital na Lei mosaica. O sétimo mandamento do decálogo traz expressamente a proibição ao adultério: “Não adulterarás”. O décimo mandamento, proíbe a cobiça à mulher do próximo. Deus sabia perfeitamente que o adultério representa uma ameaça à família. Por isso, deixou expressamente proibido na lei esta prática e prescreveu duras penas para os infratores. No Novo Testamento, o Senhor Jesus vai muito além do entendimento dos escribas e fariseus a respeito desta prática. Veremos abaixo a definição da palavra adultério, a posição de Jesus a este respeito e os males decorrentes deste grave pecado. 

1- Definição. Etimologicamente, a palavra portuguesa adultério vem do latim “ad alterum torum” que significa literalmente “na cama de outro”. É uma referência à infidelidade conjugal. Com o passar do tempo, a palavra passou a significar também falsificação, modificação ou fraude. Por exemplo, o “combustível adulterado”, significa que foi alterada a sua fórmula original.

No sentido bíblico, a palavra adultério no hebraico é “na’aph” e o seu correspondente grego é “moicheia”. Significa a relação sexual entre uma pessoa casada e outra que não é seu cônjuge. A palavra é usada também em sentido figurado, para se referir  à adoração aos ídolos, principalmente no Livro do profeta Oséias, onde Deus se refere à infidelidade de Israel como adultério. Em vários textos bíblicos também a palavra aparece com o significado de infidelidade espiritual (Jr 3.8,9; Ez 23.26,43; Os 2.2-13; Mt 12.39; Tg 4.4). Aliás, o primeiro dos mandamentos é: “Não terás outros deuses diante de mim”. 

Entre as nações pagãs, o adultério era tolerado, principalmente por parte dos homens, a não ser que coabitasse com a esposa ou noiva de outro homem. Entretanto, na Lei mosaica, o adultério era expressamente proibido (Êx 20.14; Dt 5.18) e era punido com o apedrejamento do homem e da mulher (Lv 20.10; Dt 22.22). Entretanto, havia várias regras dentro da Lei sobre isso. Se um homem fosse surpreendido com a mulher de outro, os dois seriam mortos (Dt 22.22). Até uma moça prometida em casamento, se outro homem se relacionasse sexualmente com ela, com consentimento dela, ambos seriam mortos (Dt 22.23,24). Se, no entanto, um homem forçasse uma moça prometida em casamento, sem o consentimento dela, apenas ele seria morto (Dt 22.25). 

É importante destacar que a poligamia, embora nunca tenha sido a vontade de Deus, era tolerada nos tempos do Antigo Testamento e não era condenada na Lei (Ex 21.10). Sendo assim, se um homem tivesse mais de uma esposa, isso não era considerado adultério. Até pessoas tementes a Deus como Abraão, Jacó, Gideão, Elcana, Davi e Salomão tiveram mais de uma esposa. Então, do ponto de vista da lei,o adultério era apenas ter relacionamento com a mulher ou marido de outra pessoa. Ter mais de uma esposa legítima não violava o mandamento de não adulterar. Evidentemente, a poligamia nunca foi ordenada por Deus e sempre causou muitos males. 

2 - A opinião de Jesus sobre o adultério. A interpretação que Jesus dá ao sétimo mandamento vai muito além da conjunção carnal entre um homem e a mulher do seu próximo, como ensinavam os rabinos. Jesus coloca no mesmo patamar do adultério consumado, o olhar malicioso e os pensamentos impuros. Depois, Jesus coloca também na condição de adúlteros, aquele que repudia a sua esposa, sem que haja infidelidade da parte dela e casa-se com outra; e aquele que casa com uma esposa repudiada. (Mt 5.31,32). Falaremos mais detalhadamente sobre isso no terceiro tópico. 

No Novo Testamento, em vários textos, o adultério é mencionado como um dentre vários pecados, que impedem a entrada no Reino de Deus. Por exemplo: “Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.” (1 Co 6.9).

3 - As consequências do adultério. Conforme vimos acima, o adultério é sinônimo de infidelidade, falsificação e fraude. Evidentemente, em qualquer relação humana onde há infidelidade, falsificação e fraude, os resultados serão trágicos. No caso da relação conjugal, onde há intimidade absoluta, a situação fica muito pior. O adultério destrói a confiança, causa feridas, sofrimentos, depressão e humilha a parte traída. 

Além disso, afronta à santidade de Deus e contrária à sua vontade, que a família, para que o marido e a esposa fossem uma só carne, propiciando um ambiente saudável e harmonioso para a criação dos filhos. O autor da Epístola aos Hebreus diz: “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará.” (Hb13.4). Então, além dos males causados ao cônjuge traído, aos seus familiares e aos filhos, os adúlteros enfrentarão também o julgamento de Deus.

4 - Como evitar o adultério. O primeiro passo para evitar o adultério é fechar todas as brechas. O adversário anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. Não devemos jamais flertar com o adultério, pois é algo perigoso e destrutivo. Começa com um olhar, depois um pensamento e por fim, o ato consumado. Ser tentado, não é pecado. Mas, ceder a tentação é. Para um homem casado, a melhor maneira de fechar as portas ao adultério é sempre que possível andar com a esposa e evitar ao máximo conversar a sós com outras mulheres, principalmente as que são atraentes. O homem normalmente é atraído pelo que vê. Portanto, não devemos jamais direcionar os nossos olhos para outra mulher que não seja a nossa esposa. Primeiro vem o olhar, depois a atração (que já é pecado) e se for correspondido, a relação adúltera. No caso das mulheres, o que mais lhe atrai são as palavras e a amabilidade. Portanto, devem tomar cuidado com elogios vindos de outro homem que não seja o seu esposo. Isso pode levá-la a uma atração ou até uma relação adúltera. Paulo nos recomenda a fugir da imoralidade (1 Co 6.18). A vigilância é uma arma muito importante contra o adultério, mas, a principal arma é submeter o nosso corpo ao domínio do Espírito Santo.

 

Weliano Pires é presbítero e professor da Escola Dominical na Assembléia de Deus, em São Carlos-SP.

 

REFERÊNCIAS:

GOMES, Osiel. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pág. 89-93.

PFEIFFER, Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pág. 35-36.

TENNEY, Merril C. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pág. 132-133.

LOPES, Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pág. 201.

RENOVATO, Elinaldo. A Família Cristã e os Ataques do Inimigo. Editora CPAD. 1ª edição: 2013. pág. 68.

CHAMPLIN, Russell Norman. Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pág. 2558-2559.

Mesquita. Antônio Neves de. Provérbios. Editora JUERP.

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