Ev. Weliano Pires
O termo apostasia vem do grego ‘apostasis’, que significava originalmente uma rebelião política ou deserção. No Novo Testamento a palavra é usada para se referir ao abandono consciente e definitivo da fé cristã (1Tm 4.1). É a rejeição consciente e definitiva da Palavra de Deus. O Calvinismo rejeita esta possibilidade e ensina que alguém que foi salvo não tem a possibilidade de abandonar a fé. As Escrituras, nos entanto, mostram claramente pessoas que professavam a fé e se desviaram.
O escritor da Epístola aos Hebreus diz o seguinte: “Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.” (Hb 6.4-6). Ora, não dá para dizer que alguém que foi iluminado, que provou o dom celestial, foi participante do Espírito Santo e provou as virtudes do século futuro não era salvo.
O povo de Israel foi liberto da escravidão no Egito por Deus, através de Moisés e Aarão, com grande poder e maravilhas. Este povo viu Deus operar coisas extraordinárias, tanto no Egito, como durante a peregrinação no deserto. Dez pragas vieram sobre Egito, sem que nenhuma delas os atingisse. Depois que saíram do Egito, os israelitas viram o Senhor abrir o Mar Vermelho para eles passarem em terra seca. Na sequência, viram o Senhor fechar o mar sobre Faraó e o seu exército, fazendo-os perecer.
Após a travessia do Mar Vermelho, mesmo diante de murmurações, viram Deus transformar águas amargas em águas doces. Deus mandou também carne, codornizes e o Maná para os alimentar durante a peregrinação no deserto. Viram água sair da rocha para eles beberem, após Moisés bater na rocha.
Durante toda a jornada pelo deserto, uma coluna de nuvem os resfriava durante o dia, e uma coluna de fogo os alumiava e os aquecia no frio noturno do deserto. Eles viam constantemente a Glória de Deus e Deus falar com Moisés o tempo todo, dando-lhe as orientações.
O texto de Êxodo 32 é um dos capítulos mais tristes da história de Israel no deserto. Este texto traz-nos o relato do povo de Israel fazendo um bezerro de ouro, prostrando-se diante dele, adorando-o e dizendo: “Estes são os teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito.” Moisés havia subido ao monte Sinai, para receber de Deus as tábuas da lei. Passados quarenta dias, o povo pressionou Aarão, para que lhes fizesse deuses para adorarem, pois, ‘não sabiam o que havia acontecido com Moisés’.
Meditando neste texto bíblico, pus-me a pensar: O que leva um povo que foi chamado pelo próprio Deus e experimentou tantos milagres, a cair na apostasia? Lendo este texto de Êxodo 32, algumas possíveis causas me vieram à mente:
1) Olhar para a liderança religiosa e não para Deus. “Vendo o povo que Moisés tardava em descer...” (Ex 32.1). O olhar do povo estava em Moisés e não em Deus. A Bíblia nos recomenda em Hebreus 12.2, que devemos olhar para Jesus, que é o autor e consumador da nossa fé. A liderança da Igreja é importante, mas, o nosso fundamento é Cristo.
2) Líderes ‘democráticos’ e fracos. O povo juntou-se ao redor de Aarão e o pressionou a fazer deuses e ele cedeu às pressões. Um líder da Igreja deve fazer o que Deus manda, não o que o povo quer. A Igreja não é uma democracia, onde o povo decide o que fazer. A Igreja é uma teocracia, ou seja, ela é governada por Deus. Um líder da Igreja deve pautar as suas decisões naquilo que é a vontade de Deus, mesmo que contrarie o povo. Devemos ser homens de Deus e não homens do povo.
3) Falta de convicção e conhecimento sobre Deus. Como um povo que andou com Deus de perto, vendo as maravilhas que Ele fez, pôde fazer uma afirmação absurda, de que um bezerro de ouro os tirou do Egito? Se o crente não possuir convicção daquilo que crê e não conhecer, de fato, a Deus, corre risco de trocar a sua fé por outra qualquer. Infelizmente, há muitos crentes que não suportariam poucos minutos de conversa com adeptos de seitas, que seriam enganados por eles.
4) Cultos alternativos. O bezerro de ouro era uma influência dos cultos pagãos do Egito. Talvez os Israelitas tivessem a intenção de utilizá-lo para adorar ao Senhor, materializando a presença de Deus. Isso é idolatria e é duramente condenado nas Escrituras. O nosso Deus é Espírito e aqueles que O adoram, devem adorá-lo em Espírito e em verdade. Em nossos cultos, não devemos inovar ou inventar nada. O nosso modelo de culto está na Bíblia.
É muito perigoso quando o crente adota elementos de outras religiões e parte para o sincretismo religioso. Deus não aceita isso e quem segue por este caminho, certamente acabará na apostasia. Tomemos cuidado para não deixarmos o Único e Verdadeiro Deus, por cultos e práticas estranhas à Palavra de Deus. Certamente, isso acabará mal.
Weliano Pires é bacharel em teologia, articulista, blogueiro evangélico, professor da Escola Bíblica Dominical e evangelista da Assembléia de Deus, Ministério do Belém em São Carlos-SP.
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