A luz é uma necessidade vital dos seres vivos. Segundo a física, a luz é uma forma de radiação eletromagnética cuja frequência é visível ao olho humano. Os cientistas ainda não sabem tudo sobre a luz. Mas hoje já se sabe que a luz é constituída de partículas que a ciência chama de fótons e se propaga pelo vácuo a velocidades altíssimas, chegando a 300.000 km/s. Para calcular uma distância muito grande, que os números não poderiam conter, os matemáticos usam a expressão ano-luz, que seria a distância percorrida por um corpo durante um ano, na velocidade da luz. Cada ano-luz corresponde a cerca de 9,5 trilhões de quilômetros. A luz pode se propagar também de outras formas, que não sejam o vácuo. Entretanto, são alteradas a velocidade, transmissão, refração, absorção, reflexão etc.
Há duas fontes de luz no universo: a luz primária, ou própria e a luz secundária ou refletida. A primeira pertence às estrelas e a segunda, aos planetas e satélites. As principais fontes naturais de luz usadas pelo homem eram o sol, o fogo e os relâmpagos. Com o avanço do conhecimento foi-se desenvolvendo a luz artificial até através de velas, lamparinas a gás e lâmpadas elétricas.
No início da criação, antes da criação da luz, o Universo era um caos (Gn 1.2) e Deus ordenou: “Haja luz!”. A luz é uma metáfora muito usada na Bíblia. A luz também é usada na Bíblia como símbolo do bem, e as trevas como símbolo do mal. Por isso, há constante oposição entre a luz e as trevas. O próprio Jesus se apresentou como “a Luz do mundo" e disse também que, os seus discípulos são “a luz do mundo”. A Palavra de Deus também é representada como “luz para o caminho” e “lâmpada para os pés”. Em Provérbios 4.18, o caminho dos justos é descrito como a "luz da aurora" (amanhecer), que brilha até o dia clarear totalmente. No Novo Testamento, Jesus usou a luz como uma imagem de boas obras, dizendo: “brilhe a vossa luz diante dos homens”. (Mt 5.16). João descreveu Jesus como “a luz verdadeira que alumia a todo homem que vem ao mundo”. (Jo 1.9).
Em um discurso, Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo e os que me seguem não andarão em trevas…” (Jo 8.12). Em Filipenses 2.15, Paulo compara os filhos de Deus que são "irrepreensíveis e sinceros" com os “astros resplandecentes do universo''. O apóstolo João também diz que “Deus é luz” (1 Jo 1.5). Há também uma constante oposição entre luz e trevas, representando, respetivamente, o bem e o mal: “...A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.” (Jo 3.19; “.... E que comunhão tem a luz com as trevas?” (Co 6.14).
O Salmo 119 é de autoria desconhecida. Alguns atribuem a sua autoria ao sacerdote e escriba Esdras, que foi um exímio expositor das Escrituras, durante o retorno do cativeiro de Judá. O Salmo 119 é o maior dos Salmos e o maior capítulo da Bíblia, com 176 versos. É uma belíssima poesia em acróstico, contendo 22 estrofes, cada uma delas contém 8 versos, que começam com uma palavra, cuja inicial é uma letra sequencial do alfabeto hebraico. Em cada um dos versos há uma referência à Palavra de Deus, com palavras sinônimas: Lei do Senhor, Testemunhos, Mandamentos, Estatutos, etc. No texto em português, esta beleza se perde, pois as sequências das letras acontecem apenas no texto hebraico.
No verso 105 do Salmo 119, o texto bíblico citado no início, o salmista diz que a Palavra de Deus “é lâmpada para os seus pés e luz para o seu caminho”. Este verso faz parte do décimo quarto conjunto de oito linhas, onde o autor sagrado enaltece a Lei do Senhor, usando uma variação de palavras sinônimas para se referir à Palavra de Deus, embelezando a sua poesia. A décima quarta estrofe é chamada de Nune, que é o nome da letra hebraica repetida no começo de cada uma destas oito linhas.
A simbologia da luz em relação à Palavra de Deus indica que ela mostra-nos os percalços do caminho e por onde devemos andar. Naqueles tempos, as pessoas andavam a pé em veredas estreitas e escuras. Sem o auxílio de uma lâmpada, poderiam facilmente tropeçar e cair. A lâmpada, nesse caso, servia mostrar o caminho e os perigos. Da mesma forma, a Palavra de Deus mostra-nos tudo o que precisamos saber sobre Deus, sobre a nossa condição de pecadores e a necessidade de arrependimento. Viver neste mundo sem a Palavra de Deus é dar um salto num abismo escuro, sem saber o que pode haver do outro lado.
Sendo um espaço de incentivo ao estudo e prática das Sagradas Escrituras, a Escola Bíblica Dominical é um local de crescimento espiritual, tanto individual quanto coletivo, que atua como multiplicadora dos princípios éticos e dos valores morais da fé cristã. Muitos cristãos atualmente reclamam dos conteúdos antibíblicos e, muitas vezes imorais, que são ensinados nas escolas seculares. De fato, as escolas secundárias e as universidades estão cheias de ateus militantes e de professores com ideologias anti cristãs. Isso tem levado muitos dos nossos jovens a se afastar da Igreja e até a se tornarem ateus. Outros não se desviam, mas ficam envergonhados e silenciam as suas dúvidas.
As seitas compreenderam isso e investem pesado na doutrinação dos seus adeptos, para evitar perdê-los. No Islamismo, as crianças são doutrinadas desde a infância no Al Corão e aprendem a odiar Israel e o Ocidente. A Igreja Católica ensina desde muito cedo o seu catecismo às crianças. O Mormonismo, as Testemunhas de Jeová, o Adventismo e outras seitas também doutrinam os seus adeptos desde os primeiros encontros, nos ensinos das suas organizações.
As Igrejas evangélicas precisam despertar urgentemente para uma educação cristã eficiente, pois isso é uma questão de sobrevivência, principalmente para os jovens e novos convertidos. O melhor espaço para este ensino é a Escola Dominical. Nela temos classes para todas as idades, com materiais exclusivos para cada uma delas. Precisamos urgente, investir, aperfeiçoar e principalmente participar da nossa Escola Bíblica Dominical.
Conforme foi exposto, a Palavra de Deus é a luz que ilumina o nosso caminho e nos mostra o caminho seguro para prosseguirmos. Sendo a Escola Dominical a principal instituição de ensino bíblico das nossas Igrejas, ela se torna fundamental para iluminar o caminho espiritual do cristão. Se quisermos ter crentes maduros e espiritualmente sadios, devemos priorizar o ensino bíblico, principalmente a Escola Bíblica Dominical.
Weliano Pires é bacharel em teologia, articulista, blogueiro evangélico, pastor da Assembléia de Deus, Ministério do Belém, no bairro Cruzeiro do Sul Sul, em São Carlos - SP e professor da Escola Dominical há 24 anos ininterruptos.
REFERÊNCIAS:
CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pág. 2432; 2442.
GOMES, Osiel. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pág. 42-45.
BAPTISTA, Douglas. A Supremacia das Escrituras, a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.
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