Muitos cristãos atualmente reclamam dos conteúdos antibíblicos e imorais que são ensinados nas escolas seculares. De fato, as escolas secundárias e as universidades estão cheias de ateus militantes e de professores com ideologias anti cristãs. Isso tem levado muitos dos nossos jovens a se afastar da Igreja e até a se tornarem ateus. Outros não se desviam, mas ficam envergonhados e silenciam as suas dúvidas.
Em seu livro Verdade Absoluta: Libertando o Cristianismo de seu Cativeiro Cultural, a escritora cristã americana, Nancy Pearcey escreveu:
“Se estiverem prevenidos e armados, os jovens pelo menos terão a chance de lutar quando forem a minoria entre os companheiros de classe ou colegas de trabalho. Educar os jovens a desenvolver uma mente cristã já não é opção; é parte indispensável do equipamento de sobrevivência”.
De fato, os nossos jovens vão para as escolas secundárias e universidades, como soldados desarmados e sem treinamento num campo de batalha. Para piorar, ainda existe a internet, com militantes ateus e desigrejados que combatem, respectivamente, a Bíblia e as Igrejas. As Igrejas evangélicas precisam despertar urgentemente para uma educação cristã eficiente, pois isso é uma questão de sobrevivência, principalmente para os jovens e novos convertidos.
Muito se fala atualmente em educação, como sendo a solução para os problemas sociais, como a miséria, os problemas ambientais, de saúde pública, da criminalidade, etc. Entretanto, vemos países com altos índices de alfabetização e conhecimento tecnológico, onde estes problemas não foram solucionados, ou são até piores do que em países, onde há muito analfabetismo.
Vemos pessoas altamente cultas que são arrogantes e até praticam crimes. Há alguns anos, um jornalista famoso, que era diretor de um grande jornal, matou a tiros, pelas costas, a sua namorada, que era também jornalista. Há também casos de juízes, médicos, promotores, desembargadores, professores universitários, etc. que cometem crimes e se comportam de forma abominável. Isso nos leva à conclusão de que a educação secular não tem sido capaz de mudar o comportamento destas pessoas.
A educação secular na atualidade visa pura e simplesmente, transformar os educandos em seres produtivos para a sociedade, de forma utilitarista. A educação cristã, por sua vez, se fundamenta na revelação divina que é a Palavra de Deus, para conduzir o ser humano a ter relacionamento com o seu Criador e com o seu próximo. Portanto, a educação cristã difere da educação secular tanto na forma como no conteúdo.
Quando falamos em educação cristã, nos referimos a um programa pedagógico que visa ao aperfeiçoamento espiritual e moral dos que se declaram cristãos e daqueles que venham a entender o chamado do Evangelho de Cristo, tendo por base a Bíblia Sagrada.
Jesus, é o nosso educador por excelência. A maior parte do seu ministério não consistia de curas e milagres, mas de ensino. As pessoas sempre o chamavam de "rabi", palavra aramaica que quer dizer mestre. Ele ensinava sempre que surgia oportunidade: Ensinava a poucos (Jo 3.3-21); a muitos (Mc 6.34); no Templo (Mc 12.35); nas casas (Mc 2.1,2); ou ao ar livre (Mt 5.1).
Os métodos pedagógicos de Jesus eram os mais variados. Ele pregava sermões (Mt 5); usava ilustrações (Mt 5.13-16); ensinava por parábolas (Mt 13.3); e realizava milagres com o objetivo de ensinar (Mt 12.9-13).
Após a ressurreição, Jesus deu aos seus discípulos a chamada “Grande Comissão”, dizendo: "Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.19,20). Quando lemos este texto em português, parece que há uma redundância com o verbo “ensinar”. Mas, são duas palavras gregas que foram traduzidas por ensinar:
a. "Mathēteuō". Significa fazer discípulos, ou seja, os discípulos foram comissionados a levar o ensino de Jesus àqueles que ainda não o seguiam, para que eles também se tornassem discípulos. É o que nós chamamos de evangelização.
b. “Didaskalos”. Significa "instruir”, no sentido de transmitir aos novos discípulos, as instruções que foram passadas pelo Mestre. É o ensino para os convertidos. Este ensino tem vários níveis. Inicia-se com aquilo que nós chamamos de discipulado e continua com as instruções na Escola Dominical, nos cultos de ensino e nos cursos teológicos.
Percebe-se, então, que a tarefa da Igreja neste mundo consiste essencialmente no ensino. Primeiro, ela deve ensinar aos perdidos sobre a situação de perdidos em que se encontram e convidá-los a virem a Cristo (fazer discípulos). Depois que vierem a Cristo, a Igreja deve ensinar tudo o que o Senhor Jesus mandou (Aperfeiçoar os santos).
O saudoso pastor Antônio Gilberto, uma das principais referências no ensino bíblico nas Assembléias de Deus, ensinava que a Educação Cristã tem pelo menos três objetivos principais:
a. Ganhar alma para Jesus (2 Co 12.15);
b. Desenvolver a espiritualidade e o caráter cristão (G1 5.22);
c. Treinar o cristão para o serviço do Mestre (2 Tm 2.15).
O texto base do nosso estudo na educação cristã é a Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus. A sua origem é divina, pois ela foi inspirada por Deus e, portanto, é inerente e infalível. O Espírito Santo nos ilumina para compreendermos as Escrituras. Os nossos alunos precisam aprender a manusear a Bíblia e a interpretá-la corretamente, através da exegese e da hermenêutica. Entretanto, precisam também ter vida devocional diária com Deus, através da oração, leitura e meditação na Palavra de Deus.
REFERÊNCIAS:
BAPTISTA, Douglas. A Supremacia das Escrituras: a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.
ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Teologia da Educação Cristã. Editora CPAD. pág. 13-16
PEARCEY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o Cristianismo de seu Cativeiro Cultural. 1 Ed.pág. 15. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2006.
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