A captura de Nicolás Maduro no último sábado, 3, não desmantelou o coração do regime chavista. Apesar da operação liderada pelos Estados Unidos na Venezuela, os principais nomes da ditadura permanecem em postos estratégicos.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, e os ministros Diosdado Cabello, do Interior, e Vladimir Padrino López, da Defesa, assumiram o controle do regime e passaram a compor a nova linha de frente do poder no país.
Todos integram o “núcleo duro” de Maduro e já ocupavam posições de comando na repressão interna, na propaganda bolivariana e no controle das Forças Armadas. Agora, a tríade tenta manter o regime de pé sob crescente pressão internacional.
Tríade chavista se mantém no centro do comando político e militar
Delcy Rodríguez, ex-chanceler e ex-presidente da Assembleia Constituinte, acumula desde 2024 o comando do Ministério do Petróleo, setor vital diante das sanções norte-americanas.
Formada em direito e militante desde o mandato de Hugo Chávez, ela ocupava a vice-presidência antes de assumir o comando interino. Ao lado do irmão, Jorge Rodríguez, Delcy ajudou a moldar o discurso oficial do chavismo e participou da construção da estrutura civil do regime.
Já Diosdado Cabello comanda o Ministério do Interior, da Justiça e da Paz. General de formação, ficou conhecido por sua lealdade a Hugo Chávez e liderou a devolução do poder ao ex-ditador durante a crise de 2002, depois da tentativa de derrubada do regime.
Em sua trajetória, acumula investigações por tráfico, corrupção e perseguição política, além de sanções impostas pelos EUA.
Vladimir Padrino López, no cargo de ministro da Defesa desde 2014, é o nome mais longevo da cúpula chavista. Militar de carreira, teve papel decisivo na repressão de protestos e na resposta a movimentos dissidentes.
Também foi sancionado por Washington por acusação de envolvimento com o narcotráfico. Ele comanda uma estatal militar que controla desde fábricas até laticínios. Apesar da crise econômica e das deserções nas Forças Armadas, Padrino permanece como peça central da resistência a intervenções externas.