O ano começou e, para quem ainda não fez o planejamento financeiro, é tempo de começar. Esse é o momento de colocar as receitas e despesas da família no papel, sem esquecer dos aumentos previstos para gastos básicos, como planos de saúde, conta de luz e mensalidades escolares. Projeções do mercado apontam que esses reajustes deverão ficar acima da inflação em 2024, e podem pesar no bolso dos consumidores.
O maior aumento deve vir dos planos de saúde empresariais, que devem subir em média 20%, segundo projeções da consultoria Arquitetos da Saúde. Para planos individuais, a expectativa do Citi e da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) é que o reajuste fique em torno de 8,7%. As tarifas residenciais de energia elétrica devem ter uma alta média de 7,61% em 2024, segundo cálculos da TR Soluções, empresa de tecnologia especializada no setor. Mas é possível driblar a alta do plano de saúde? Especialistas respondem nesta reportagem.
A inflação oficial do país, medida pelo IPCA, por sua vez, acumulou alta de 4% em 2023, até o mês de novembro. Para este ano, a projeção, segundo o Boletim Focus, é que encerre em 3,90%.
Coordenadora do Laboratório de Finanças Pessoais da ESPM, a economista Paula Sauer ressalta que a maioria dos trabalhadores tem o salário reajustado pelo IPCA, que é uma média da inflação, e não necessariamente se reflete no aumento real do seu custo de vida. Por isso, é importante considerar os aumentos que mais pesam nas contas da família. Por exemplo, para idosos, o reajuste dos planos pode pesar mais, enquanto para um casal de jovens em trabalho remoto pode ser a conta de luz. Nesta reportagem, mostramos como pagar menos na conta de luz após o reajuste.
“Para o indivíduo ou família que esteja com o orçamento folgado, o impacto será menor, já para as famílias que estavam com o orçamento justo, e o reajuste salarial não acompanhar, será preciso um olhar mais atento às compras, fazer escolhas mais cuidadosas”, afirma a economista.
Momento de rever os custos
“Conheci um casal de professores que prezavam muito por uma boa educação de suas filhas e estavam incomodados pensando que talvez tivessem que mudar as meninas de escola. Durante a fotografia financeira, uma das etapas do planejamento, se deram conta de que gastavam mais com alimentação fora de casa do que com a mensalidade escolar. Foi um choque e uma surpresa boa. Mudaram a rotina de alimentação e puderam manter o que para eles era fundamental”, exemplifica a economista. Nesta reportagem, mostramos como absorver a alta de 9% na mensalidade escolarsofrendo pouco.
“O plano de saúde com coparticipação também traz benefícios, no sentido de ter um custo menor. Claro, com uma participação de quando a pessoa fizer o procedimento. Mas no fim das contas pode valer a pena. O mesmo vale para modalidades com enfermaria ou quarto individual, para a rede de cobertura. Há vários fatores que precisam ser avaliados continuamente, para que a gente possa alinhar a nossa expectativa em relação ao serviço com a nossa renda”, explica.