O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) para pedir a abertura de uma investigação sobre possíveis irregularidades no pagamento de auxílio-moradia ao delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho.
O policial atuava como oficial de ligação do Brasil junto ao serviço de imigração e controle de alfândega dos Estados Unidos (ICE). Ele teria recebido cerca de R$ 48 mil mensais para custear moradia no exterior.
Na representação, o senador afirma que a PF pagava o aluguel de um imóvel de alto padrão em Miami, na Flórida, em possível desacordo com a legislação vigente. O documento indaga a compatibilidade do benefício com a natureza indenizatória, além dos limites aplicáveis a servidores em missão internacional e os princípios da administração pública.
A representação acontece depois de uma reportagem do site A Investigação e reúne informações detalhadas sobre o imóvel utilizado pelo delegado, localizado na região de Brickell, uma das áreas mais valorizadas de Miami.
O apartamento tem cerca de 150 m², três quartos e quatro banheiros, além de integrar um condomínio de alto padrão com estrutura de luxo, como piscinas, academia, spa, áreas para eventos e serviços exclusivos. O valor estimado do aluguel é de US$ 8,7 mil mensais, o que equivale a aproximadamente R$ 48 mil.
O requerimento também menciona registros que mostrariam que Marcelo Ivo realizava festas e tinha encontros privados no local, bem como relatos sobre um padrão de vida elevado durante a missão no exterior.
Para Marinho, esses elementos apontam possível incompatibilidade entre o custo da moradia, o uso do benefício e os parâmetros legais aplicáveis ao serviço público.
No pedido, o líder da oposição pede que o TCU verifique a legalidade do pagamento, apure eventuais inconsistências no custeio e avalie possível dano ao erário.
O parlamentar também defende a adoção de medidas para assegurar transparência e responsabilidade administrativa no uso de recursos públicos por agentes em missões internacionais.
Delegado brasileiro da PF expulso dos EUA
Marcelo Ivo de Carvalho foi trabalhar no EUA em março de 2023. Ele atuava em uma missão com duração inicial de dois anos junto ao ICE. No entanto, em março de 2025, uma nova portaria prorrogou a permanência dele na função por mais um ano, até 17 de agosto de 2026.
Com a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, em 13 de abril, em Orlando, Flórida, o governo dos EUA determinou que o delegado deixasse o país sob alegação de tentativa de “contornar pedidos formais de extradição”.
A PF designou a delegada Tatiana Alves Torres para atuar como oficial de ligação em parceria com o ICE, no lugar de Marcelo Ivo. Ela terá Miami, na Flórida, como base. Em linhas gerais, um oficial de ligação é um agente designado para atuar como ponte entre duas instituições, geralmente de países diferentes, facilitando a cooperação direta.