O presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu falar da edição deste ano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Para isso, faltou com a verdade.
Ao comentar a realização do Enem 2023, que ocorreu nos últimos dois domingos, o petista afirmou que não houve intercorrências. “Foi feito sem nenhum problema.”
O ministro da Educação, Camilo Santana, foi pelo mesmo caminho do presidente da República. Ele garantiu que o Enem deste ano “não teve nenhum incidente”.
A afirmação de Lula foi feita na terça-feira, 14, durante sua live semanal. Ele pareceu, contudo, não ter acompanhado o noticiário das últimas semanas. Isso porque problemas do Enem ganharam espaço na imprensa.
Durante a live, Lula e Camilo aproveitaram para fazer propaganda de um projeto a ser lançado pelo governo federal. Batizado de “Desenrola da Educação”, o programa buscará facilitar a renegociação de dívidas entre estudantes e instituições de ensino.
Problemas do Enem que Lula não viu
Diferentemente da afirmação de Lula, o Enem deste ano contou com uma lista de problemas. No primeiro dia de prova, por exemplo, o exame exaltou Paulo Freire, associou de forma equivocada o agronegócio brasileiro a "chuvas de veneno" e teceu criticas ao capitalismo.
A parte do agronegócio rendeu problema no campo político. Isso porque a bancada do setor, que conta com mais de 300 parlamentares, reclamou publicamente da questão e exigiu um atitude por parte do governo Lula.
Ainda na primeira parte da prova, o jornal O Globo chamou a atenção para um outro problema para além da doutrinação ideollógica. “Questão citava um texto reproduzindo um erro grosseiro de ortografia”, afirmou a publicação.
Além disso, o exame teve de anular uma das questões da prova aplicada no segundo dia. Isso porque uma pergunta sobre gripe já havia sido aplicada na edição de 2010.
Por fim, o primeiro Enem desde a volta da esquerda ao poder também virou caso de polícia. Nesse sentido, a Polícia Federal apura o vazamento e imagens da prova por meio de postagens nas redes socais.