Amanhã, no Porto, centenas de brasileiros estão programados para se manifestar contra o que consideram ser negligência no atendimento aos imigrantes pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) de Portugal.
A AIMA substituiu o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e assumiu aproximadamente 300 mil processos de regularização de imigrantes, sendo 170 mil apenas de brasileiros. Esses casos têm se arrastado por anos sem resolução.
No entanto, de acordo com Priscila Corrêa, advogada carioca especializada em imigração e organizadora do protesto, o número de processos pendentes pode ser muito maior.
— A gente deve ter aí mais de 500 mil pessoas sem autorização de residência válida, porque o título venceu e não conseguem fazer as renovações — disse Corrêa ao Portugal Giro.
Criada em 2023, a permissão de residência para os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) completou um ano, e os documentos começaram a expirar sem que houvesse uma decisão sobre a sua renovação, de acordo com informações da advogada. Esses processos estão se acumulando junto aos outros pendentes.
Trabalhando com imigrantes em Portugal há oito anos, ela compartilha que mais de 600 pessoas buscaram seu escritório recentemente para tentar renovar sua autorização na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O desafio está no fato de que a prorrogação por meio de decreto não é mencionada no documento físico, não tem sido aceita pelo setor privado e, inclusive, por alguns órgãos da administração pública.
Corrêa prevê que haverá nova prorrogação de decreto, que vence em 30 de junho.
— Já se fala em prorrogação do decreto, que surgiu por causa da Covid e quatro anos depois usam a mesma desculpa. É mais que descaso, é ilegal, porque não obedece aos princípios básicos da administração pública, que são a eficiência, transparência e a boa-fé. O pior é que novos imigrantes continuam chegando sem que os que aqui estão sejam devidamente amparados nos seus direitos — disse ela.
Procurada, a AIMA não respondeu.