Segundo estatísticas do Banco Central, os investimentos no exterior cresceram 47,5% entre 2021 e 2022. Conforme Daniel Haddad, CEO da Avenue, empresa especializada em investimentos, muitos brasileiros estão levando as suas reservas para fora do país. A empresa registrou recorde de captação em dezembro com R$ 1,5 bilhão. “O que está acontecendo agora é a continuação do amadurecimento do brasileiro como investidor. Se você pega o histórico desse amadurecimento, lá atrás o brasileiro só investia, basicamente, em imóvel e poupança. Depois disso, ele começou a se educar e passou a investir também em ações e tesouro direto e outros produtos mais sofisticados, por exemplo. O que está acontecendo agora é a continuação desse amadurecimento. É o investidor diversificar globalmente, ele perceber que ele ter um pedaço, um percentual do portfólio dele investindo fora do país é muito importante do ponto de vista de risco do portfólio dele, como um todo”, explica.
A falta de confiança no mercado interno foi o que motivou o analista de sistemas Guilherme Araújo a investir todo o dinheiro dele no exterior. Ele começou a investir há seis anos depois da venda de um imóvel. No terceiro ano, começou a fazer aplicações no mercado externo. E, na transição de governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), resolveu colocar 100% dos recursos nos Estados Unidos. “Investir no exterior dá essa confiança a mais de que órgãos regulatórios sérios, que realmente fazem o trabalho que precisa ser feito, isso dá mais confiança para o investidor”, diz. De acordo com Araújo, investir em ações nos EUA não garante maiores lucros, mas ele acredita que o país seja mais estável economicamente: “A relação de ganho e perda, não há garantia nenhuma de que eu vou ter uma liquidez boa lá fora. Se eu não fizer o estudo adequado daquilo que eu tô investindo, assim como eu teria que fazer aqui dentro do Brasil, em qualquer papel que eu fosse investir, ganhar e perder é do jogo. É mais a questão de garantias e seguranças de que aquilo em que eu estou investindo vai continuar sendo meu, de certa forma”.